Nota do júri oficial de curtas-metragens

Júri composto por Cristina Amaral, Juliana Rojas, Marcelo Lordello, Naná Baptista e Rafael Urban.

O júri ressalta a importância do curta-metragem como formato e espaço de experimentação. Ao colocar o curta em diálogo com o longa-metragem, o festival amplia a reflexão do debate e potencializa as imagens na tela. Esse gesto da curadoria ganha força neste momento em que o formato está em risco por falta de financiamento, espaço de exibição comercial e reconhecimento do mesmo na avaliação de currículo em editais públicos federais.

Destacamos a qualidade dos 12 curtas-metragens selecionados que alinham potentes gestos artísticos em sintonia com questões urgentes dos nossos tempos.


 

1. Melhor Filme

 

Por proporcionar uma experiência de imersão fílmica e política a partir de uma construção coletiva que entende o cinema como parte integrante do mundo e que nos inspira a entender o ato como resistência, o prêmio de melhor filme vai para Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados, de Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito



 

2. Melhor Direção

 

Por compartilhar com o espectador uma saudade que revela tanto de si, da origem de um amor e dos caminhos do viver, a partir de um domínio sensível de técnicas tão diversas da animação. Pela imersão pessoal e autoral no ato de  narrar, encarando esse risco com generosidade ímpar, proporcionando assim uma experiência profundamente humana, o prêmio de melhor direção vai para Nara Normande, por Guaxuma.


3. Melhor Ator
 

Pela ousadia, disposição à entrega e uso de um corpo invisibilizado como ferramenta que funde atuação e direção, o prêmio de melhor ator vai para Fábio Leal, por Reforma



 

4. Melhor Atriz


Pela potência do rosto que carrega no olhar o peso e a força de um mundo, o prêmio de melhor atriz vai para Maria Leite, por Mesmo com Tanta Agonia


5. Melhor Ator Coadjuvante

 

Pela construção do desbunde como resistência fora da área de cobertura, o prêmio de melhor ator coadjuvante vai para Uirá dos Reis, por Plano Controle


6. Melhor Atriz Coadjuvante
 

 

Pela interpretação corporal e domínio dos silêncios que tensionam e potencializam a fala e convocam à reação, o prêmio de melhor atriz coadjuvante vai para Noemia Oliveira, por Eu, Minha Mãe e Wallace


 


Menção Honrosa de Atriz Coadjuvante
 

Para uma jovem atriz que transforma a energia do filme e dos espectadores com sua participação, a menção honrosa de atriz coadjuvante vai para Rillary Rihanna Guedes, por Mesmo com Tanta Agonia

7. Melhor Roteiro

 

Pela estrutura que trabalha o humor e a delicadeza a partir do acúmulo de fragmentos da experiência sexual e afetiva do personagem em contraponto ao olhar do outro, o prêmio de melhor roteiro vai para Fábio Leal, por Reforma



8. Melhor Fotografia
 

Por construir diferentes espaços da cidade com olhares distintos e complementares, e ainda assim manter uma unidade plástica que confere potência ao filme, culminando em uma explosão cromática, o prêmio de melhor fotografia vai para Anna Santos, por Mesmo com Tanta Agonia

 


9. Melhor Direção de Arte

 

Pelo domínio e emprego de diferentes técnicas, escolhendo como elemento unificador uma matéria que se transmuta em função da narrativa do filme, o prêmio de melhor direção de arte vai para Nara Normande, por Guaxuma


10. Melhor Trilha Sonora

Por nos levar com sutileza por uma narrativa de memória, luto e afeto, o prêmio de melhor trilha sonora vai para Normand Roger, por Guaxuma

11. Melhor Som

 

Pela construção sonora que nos desloca para a dentro do ato e urge de nossa parte um envolvimento concreto com o presente, o prêmio de melhor som vai para
Nicolau Domingues, por Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados

 

12. Melhor Montagem

Pelo uso subversivo de materiais de arquivo diversos, ressignificando a nossa memória recente e propondo, a partir da articulação precisa dos tempos de montagem e do escracho, uma maneira de enfrentar o presente e o futuro, o prêmio de melhor montagem vai para Gabriel Martins e Luisa Lana, por Plano Controle

 

13. Prêmio Especial do Júri

Pelo profundo interesse em acessar diferentes camadas da realidade e da história de um lugar marcado pela violência e opressão. Pela crença de que a História não pára e de que todo o lugar tem potencial de reinvenção. Pela construção de espaços fílmicos de reafirmação de identidades e encontros de afetos e culturas, o prêmio especial do júri vai para Liberdade, de Pedro Nishi e Vinícius Silva