Produções de Hors Concour e da Mostra Competitiva encerram ciclo de debates

Festival de Brasília buscou aprofundar as reflexões propostas pelos filmes selecionados

 

O domingo (24), último dia do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, começou com duas sessões de debates envolvendo os produtores dos filmes exibidos na sessão Hors Concour: “Antônio Um Dois Três” e “Ano passado eu morri”; seguido pelo bate-papo envolvendo os filmes exibidos na sessão de ontem da Mostra Mompetitiva do Festival: “A passagem do cometa” e “Arábia”.

 

A primeira conversa, mediada por Eduardo Valente, diretor artístico do evento, abordou a relação do diretor brasileiro olhando Portugal. Leonardo Mouramateus, que divide seu tempo entre Fortaleza e Lisboa devido a um mestrado em Arte Multimídia, explicou o processo de produção de “Antônio Um Dois Três” (95 min, 2017, CE, 12 anos), reiterando que buscou vivenciar o país. O filme, gravado na capital portuguesa, traz a questão da teatralidade de forma marcante.

 

Mouramateus contou ao público que muita coisa acaba surgindo no calor da hora: “O Antônio tinha o calor da hora. Então pensei num personagem que vivesse histórias, o que deu lugar aos três tempos do filme, passando pela fuga de casa, relação com ex-namorada e encontro com turista brasileira”.

 

Já sobre a produção “Ano passado eu morri” (25 min, 2017, ES, 12 anos), o diretor Rodrigo de Oliveira contou que o filme, considerado uma ficção com autorretrato, foi baseado em relação amorosa antiga. “Sugeri com esse curta meu fracasso com a incapacidade de lidar com a emoção dos outros e, em paralelo, também quis fazer uma associação com as derrotas do país das quais eu não tinha a menor influência”.

 

O público do debate exaltou ainda a forma do plano, com a câmara conectada aos corpos e às palavras. O diretor, também protagonista do filme, detalhou: “Eis aqui um recorte de vida. Reuni e-mails, cartas, diários e memória que precisava aparecer em cena. Por isso eu narrei, eu filmei, eu editei. Consegui fabricar nesse processo de produção inclusive a minha resiliência e a minha isenção”.

 

A segunda roda de debate recebeu representantes dos últimos filmes da Mostra Competitiva que foram exibidos na noite de sábado (23). O elemento da narração, considerada pelos críticos do debate como subvertida pelo longa “Arábia”  (96 min, 2017, MG, Livre), foi levantado no debate sobre a produção mineira, que levou três anos para ser gravada e finalizada.

 

“O texto do off foi escrito quatro vezes, tanto antes quanto depois da montagem do filme, até chegarmos na narrativa desejada”, explicou Affonso Uchoa, que dirigiu o longa com João Dumans. Também foi destacada a atuação do protagonista, um jovem que trabalha em uma siderúrgica em Belo Horizonte. “Nos surpreendemos com o Juninho, que mergulhou no filme e deixou sua marca de acordo com a forma com que ele se relaciona com o mundo”, contou Dumans.

 

O polêmico tema aborto, do enredo de “A passagem do cometa” (19 min, 2017, SP, 12 anos), dirigido por Juliana Rojas, também gerou questionamentos no encontro desta manhã. A violência contra o corpo da mulher e a delicadeza com que foi abordada pela produção renderam elogios dos críticos de cinema.

 

Sobre o processo de gravação, a atriz Gilda Nomacce, que interpreta a médica do consultório clandestino de abortos, manifestou a importância de refletir sobre as diversas formas de violência contra a mulher. “Tenho muita sorte de trabalhar com mulheres incríveis. A Juliana Rojas (diretora) é uma delas. A equipe desse filme é praticamente só de mulheres e foi uma troca sensacional”, define.

 

Patrocínio

A 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro conta com os seguintes patrocinadores: NET, Claro, Petrobras, BRB, BNDES e Sabin.

 

Serviço

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – 50ª edição

Quando: 15 a 24 de setembro de 2017

Programação completa: http://www.festivaldebrasilia.com.br/

Fotos: https://www.flickr.com/photos/152011896@N03/albums

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