‘Pendular’ é destaque no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Hoje em dia

BRASÍLIA – Logo no início de “Pendular”, o casal de artistas que protagoniza o filme de Julia Murat traça uma clara e justa divisão num galpão industrial abandonado em São Paulo, com um espaço dedicado à dança e a outra metade à escultura.

“A divisão é feita de forma simbólica, com 50% para cada um, como em qualquer relação que se começa. Mas ao longo da narrativa, ela acaba se tornando impossível e esse novos limites vão influenciar no espaço que o afeto ocupará”, observa Julia.

Com estreia prevista para esta quinta-feira nos cinemas, “Pendular” foi exibido na noite de domingo no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com a presença da diretora, que é filha de Lúcia Murat (também cineasta, de “Que Bom te ver Viva”) e do elenco.

O longa é praticamente todo filmado no ateliê do casal, para aumentar a sensação de claustrofobia. “A relação vai se tornando claustrofóbica, com poucos espaços, e nada melhor do que mostrar um lugar assim, em que a câmera não saísse de lá”, explica.

Na única sequência em que os personagens de Raquel Karro (uma ex-acrobata do Cirque du Soleil) e Rodrigo Bolzan estão fora do galpão, ela faz parte de um momento crucial da história, num “local neutro, em que põem para fora tudo o que não conseguiam falar”.

Como há muitas cenas de sexo no filme, responsáveis por subir a classificação etária para 18 anos, uma das preocupações da equipe foi construção da intimidade da relação. “O sexo é um dos elementos que falassem com um todo”, registra Julia.

Raquel pondera que, na maioria das cenas de sexo que viu no cinema, “o casal transa e a mulher já surge de calcinha depois, sem falar no lençolzinho que cobre tudo; eles estão sozinhos, não há razão de usarem um lençol”.

Para que a naturalidade desse o tom nas cenas de cama, a atriz carioca, de 41 anos, diz que, além de um mês intenso de ensaios, foi fundamental deixar as limitações de lado, permitindo que o “tesão surgisse entre os dois”.

Bolzan, por sinal, já tinha feito um filme caliente antes, “Cama de Gato”, exibido justamente no Festival de Brasília, há 15 anos. “Na época, já tinha nenhuma dificuldade. A única diferença agora é que estou mais maduro. O sexo nunca foi um tabu”.

Outro fator que contribuiu para o processo de intimidade da foi a experiência de Julia e seu marido, o roteirista Matias Mariani. “A vivência dos personagens foi alimentada pelo nosso olhar, já que passávamos por aquilo. Quando começamos a escrever, a gente mal se conhecia”, destaca Mariani.

O lado pessoal também atravessou a construção da personagem de Raquel. Quando a convidaram para o filme, ela tinha acabado de dar a luz. “Há no texto a questão de continuar a carreira sendo mãe e eu queria lhe dizer que é possível conciliar”.

Fale conosco

Ente em contato com o festival.

Enviando

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?