Mostra competitiva marca 1º sábado do Festival de Brasília

Mostra Competitiva com cinco produções, ‘Candango – Memórias do Festival’ e a exibição da sessão especial com “A Serpente” marcaram o dia

Depois da emocionante abertura da edição comemorativa de 50 anos do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, neste sábado (16) teve início a Mostra Competitiva e o lançamento do primeiro, de uma série de livros, que serão apresentados no mais antigo festival do cinema brasileiro. O Cine Brasília abriu suas atividades do Festival ao público, que, historicamente, comparece e participa de forma energética. A noite foi marcada por duas sessões da Mostra Competitiva, totalizando cinco produções exibidas, e a estreia do aplicativo do FBCB para a votação popular.

De autoria de Lino Meireles, a publicação “Candango – Memórias do Festival” resgata a história afetiva do evento. O livro é resultado de entrevistas com 71 personalidades do cinema nacional, entre os quais estão os veteranos Ruy Guerra, Cacá Diegues, Neville D’Almeida, Lúcia Murat, Helena Ignez e Suzana Amaral Para. No lançamento, realizado no Cine Brasília, o autor, que já realizou cinco curtas-metragens de roteiro próprio, recebeu o público, cineastas e personalidades do audiovisual brasileiro.

Trata-se de quebra-cabeça cronológico com frases e memórias de 71 personagens que passaram pelo Festival desde sua primeira edição, em 1965, até 2016.  O projeto, conforme apontou Meireles, também ganhará repercussão por meio do longa-metragem ‘Candango: Memórias do Festival’, em fase de finalização. “O livro foi uma conversa sobre cinema e o Festival, que por existir desde 1965 também carrega consigo parte da história do próprio cinema brasileiro”, conta Meireles

Também foi destaque a estreia de três filmes na sessão da Mostra Competitiva. O longa “Música para quando as luzes se apagam”, de Ismael Caneppele (2017, 70min, RS, 14 anos) conta com Julia Lemmentz e Emelyn Fischer. O filme marca a estreia de Caneppele na direção e narra a chegada de uma autora em uma pequena vila no sul do Brasil com a intenção de transformar a vida de Emelyn numa narrativa ficcional. Quanto mais a autora provoca Emelyn com suas câmeras, mais Emelyn se torna Bernardo, um adolescente dividido entre viver o seu desejo e continuar desejando. Ismael estreou no cinema como roteirista do premiado longa “Os famosos e os duendes da morte”. Foi considerado melhor roteirista pelo Prêmio Fiesp Sesi 2010, indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e laureado pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio Machado de Assis, em 2011.

Dois curtas-metragens completaram a programação. “O Peixe”, de Jonathas de Andrade (2016, 23min, PE, Livre), é ambientado em uma vila de pescadores que pratica o ritual de abraçar os peixes após a pesca. O gesto afetuoso que acompanha a passagem para a morte atesta relação entre espécies pautada em força, violência e dominação. O diretor utiliza vídeos, fotografias e instalações para percorrer a memória coletiva e a história em produções que misturam ficção e realidade. Em 2017, o curta participou do Sheffield International Documentary Festival, do Moscow Experimental Film Festival e do Curtas Vila Do Conde – Festival Internacional de Cinema, onde foi eleito melhor documentário.

Já o curta “Nada”, de Gabriel Martins (2017, 27min, MG, Livre), retrata a vida de Bia. A protagonista acaba de completar a maioridade e a pressão que a jovem sofre com a proximidade do Enem. Diretor, roteirista, câmera e diretor de fotografia, Gabriel Martins assina filmes premiados e que foram exibidos em diversos festivais no Brasil e no exterior, como “Contagem”, “Dona Sônia pediu uma arma para seu vizinho Alcides”, “Meu amigo mineiro” e “Rapsódia para o Homem Negro”. A produção estreou este ano na Quinzena dos Realizadores de Cannes.

Às 21h30, foi apresentado ao público o curta “Peripatético” (2017, 15 min, SP, Livre), de Jéssica Queiroz. O filme narra um período da vida de Simone, Thiana e Michel, jovens moradores da periferia de São Paulo, que procuram o primeiro emprego e tentam passar no vestibular. Em meio às demandas do início da fase adulta, um acontecimento histórico em maio de 2006 na cidade de São Paulo muda a realidade dos jovens. A cineasta dirigiu os curtas “Vidas de Carolina” e “Número e série. Atualmente, desenvolve o documentário, vencedor do Edital VAI 2017, “Adelia e Carolina”, sobre a inviabilização das mulheres negras nas artes.

Em seguida, foi exibido o longa “Vazante” (2017, 116 min, SP, 14 anos), de Daniela Thomas. A produção retrata Minas Gerais no século XIX. Sentindo-se sozinho e isolado numa fazenda improdutiva com a morte da esposa, Antonio busca um novo casamento com Beatriz, jovem que frustra seus planos de ter filhos. Ele volta às expedições negociando escravos e gado e, sozinha na propriedade, Beatriz encontra nos escravos sua companhia. Uma traição implode a família numa espiral de violência, que é o anúncio dos ventos da mudança. Daniela Thomas é diretora de cinema, cenógrafa, roteirista e dramaturga. Foi correalizadora de “Terra estrangeira” e teve outros longas em competição em festivais internacionais de cinema.

A noite também foi a primeira em que o público usou o aplicativo do Festival para avaliar as produções. O App permitirá que os espectadores votem nos filmes favoritos em competição, determinando os vencedores da categoria Júri Popular. Somente com o Prêmio Petrobras, os longas eleitos nas Mostras Competitiva e Brasília receberão total de R$ 300 mil em distribuição. A cinéfila Renata Bernardes estava em sua primeira visita ao Festival de Brasília e votou após a sessão das 19h: “Achei muito tranquilo e o aplicativo oferece a facilidade de fazer o cadastro pelo Facebook ou pelo Google. As funções dele são ótimas e a comodidade compensa”.

 

Mais cedo, sessão especial do filme Serpente (2016, 73 min, PE/RJ, 16 anos), de Jura Capela, movimentou o Museu Nacional da República, que recebe atividades do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa do diretor pernambucano é inspirado na peça homônima de Nelson Rodrigues. A trama acompanha um triângulo amoroso entre duas irmãs e o marido de uma delas. No elenco, estão Matheus Nachtergaele, Lucélia Santos, Silvio Restiffe e Cellia Nascimento.

 

Serviço

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – 50ª edição

Quando: 15 a 24 de setembro de 2017

http://www.festivaldebrasilia.com.br/

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