Índios, mulheres, negros e periferia protagonizaram 50º Festival de Brasília

G1 Distrito Federal

urante a cerimônia de premiação do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na noite deste domingo (24), cineastas que levaram troféus e subiram ao palco do Cine Brasília prestaram homenagem às terras de origem, aos filmes produzidos nas periferias do país, às mulheres, aos negros e aos povos indígenas Guarani Kaiowá – todos inspirações para grande parte dos filmes.

O diretor homenageado que encerrou o festival com o filme “Abaixo a gravidade”, Edgard Navarro, agradeceu a platéia que, desde 1985 – quando participou da mostra pela primeira vez, com o curta “Porta do fogo” (1982) –, se manifesta com aplausos e vaias.

“Já estive aqui várias vezes e tenho, com essa platéia, o presente de estrear esse filme, que é o último de minha carreira como cineasta. Agora vou virar cinemeiro!”

Mostra Competitiva

Entres os diretores premiados, os vencedores da Mostra Competitiva na categoria melhor longa-metragem do júri técnico, João Dumans e Affonso Uchoa, fizeram um agradecimento especial ao protagonista de “Arábia”, o ator Aristides de Sousa, que inspirou o filme.

Uchoa também deu destaque ao que ele acredita ser uma marca do cinema brasileiro: a transitoriedade sobre “quem pode falar o quê” e “quais são os lugares de fala”.

“O que mais me encantou nesse processo foi descobrir o poder pelo encanto da alteridade. De que a arte e o cinema podem falar de lugares que não são aqueles onde socialmente a gente foi colocado.”

O parceiro de roteiro e direção, Dumans, dedicou o prêmio aos operário da Samarco, que morreram ou perderam as casas, após o rompimento da barragem da mineradora na cidade de Mariana, “que fica a 20 minutos do local onde gravamos”.

O longa da dupla levou outros três candangos por melhor ator, melhor trilha sonora e melhor montagem, além do Prêmio Abraccine por melhor longa-metragem.

O diretor Ardiley Queirós, vencedor do prêmio de melhor direção segundo júri técnico da Mostra Competitiva pelo longa “Era uma vez Brasília”, usou o espaço de agradecimento para parabenizar as produções universitárias – ele foi um dos jurados do FestUni.

“Há muito tempo não via tanta coisa boa em conjunto: a força do cinema universitário.”

O longa também foi premiado por melhor fotografia e melhor som.

Mostra Brasília

Prêmios da Mostra Brasília no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, oferecidos pela Câmara Legislativa do DF (Foto: Rômulo Juracy/Divulgação)Prêmios da Mostra Brasília no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, oferecidos pela Câmara Legislativa do DF (Foto: Rômulo Juracy/Divulgação)

Prêmios da Mostra Brasília no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, oferecidos pela Câmara Legislativa do DF (Foto: Rômulo Juracy/Divulgação)

Na Mostra Brasília, oferecida pela Câmara Legislativa do DF, os prêmios de melhores filmes foram entregues pelo cineasta paraibano Vladimir Carvalho. O documentarista, reverenciado pelas novas gerações do cinema presentes na cerimônia, disse que o caráter histórico da 50ª edição do festival foi além do marco temporal.

“Eu nunca tinha assistido a um festival com tamanha energia, tamanha vibração. Especialmente nos dias em que aconteceram as sessões da Mostra Brasília.”

O documentarista Vladimir Carvalho entregou prêmios da Mostra Brasília no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Foto: Júnior Aragão/Divulgação)O documentarista Vladimir Carvalho entregou prêmios da Mostra Brasília no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Foto: Júnior Aragão/Divulgação)

O documentarista Vladimir Carvalho entregou prêmios da Mostra Brasília no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Foto: Júnior Aragão/Divulgação)

O prêmio de melhor curta-metragem escolhido pelo júri técnico foi entregue a dois filmes: “UrSortudo”, de Januário Jr., e “Tekoha – Som da Terra”, de Rodrigo Arajeju e Vladelice Veron. Entre os longas, o vencedor foi “O fantástico Patinho Feio”, de Denilson Félix.

Januário agradeceu à “equipe da muléstia” do Paranoá, no DF, e de Lagoa Nova, no Rio Grande do Norte e também mencionou as dificuldades financeiras que enfrentou para que o filme pudesse concorrer ao festival.

“Agradeço à minha mãe e minha irmã que pagaram minhas contas por seis meses para que eu pudesse finalizar o filme tranquilo.”

O curta-metragem O curta-metragem

O curta-metragem “UrSortudo”, de Januário Jr., recebeu três prêmios no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Foto: Rômulo Juracy/Divulgação)

Já o diretor de “Tekoma” fez uma fala-protesto para pressionar a demarcação de terras indígenas em todo o país. “Não vale pisar em tapete vermelho nem levantar um troféu enquanto tiver Guarani Kaiowá tombando no Mato Grosso do Sul”, disse Rodrigo.

“Terra, vida, justiça e demarcação já!”

O prêmio de melhor direção foi para Dácia Ibiapina, pelo curta-metragem documental “Carneiro de ouro”, que apresenta o trabalho do piauiense Dedé Rodrigues, diretor de filmes de “cangaço fora de tempo” no interior do estado com uso de efeitos especiais.

“Uma mostra tão importante pra nossa cidade… Eu quero dividir [o prêmio] com um grande diretor, que é Dedé Rodrigues”, disse Dácia. O homenageado levantou o troféu para o alto e agradeceu.

“Primeiro lugar aqui, pra cima [apontou para o alto]. E a vocês aqui, porque sem vocês não tinha prêmio, não tinha nada.”

O diretor Dedé Rodrigues, retratado no documentário

O diretor Dedé Rodrigues, retratado no documentário “Carneiro de ouro”, de Dácia Ibiapina, levanta troféu no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Foto: Humberto Araújo/Divulgação)

A roteirista de “Peripatético”, curta que recebeu dois candangos, fez um discurso feminista com foco nas mulheres negras. “Me disseram que o filme foi ‘berrante’. Enquanto o racismo estiver apagando nossas histórias, a gente vai berrar até que nos escutem”, disse Ananda Radhika.

“Esse filme é pra todas as mulheres negras que tentam sobreviver do audiovisual.”

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