ENTREVISTA CAFÉ COM CANELA: “CINEMA PULSA COM ESTRATÉGIAS CRIATIVAS QUE INCORPORAM O INTERIOR DO PAÍS”

  • Diretores comentam a premiação do longa, considerado um enredo de afetoO filme de afeto, como os próprios diretores o definem, “Café com Canela” (Ary Rosa e Glenda Nicácio) ganhou os espectadores do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa-metragem foi eleito pelo júri popular a melhor produção da categoria da Mostra Competitiva. A receptividade da plateia, que ovacionou o longa após a exibição, serviu de termômetro para o trabalho de Ary e Glenda, que teve sua estreia no circuito nacional no Festival de Brasília. Os cineastas são graduados em cinema pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), moram na região e encontram na cultura popular local inspiração e pulsação para fazerem cinema. É justamente na interação com a comunidade que os dirtores acreditam estar a chave para o sucesso do “Café com Canela”. “O fato é que vivemos, até pouco tempo, um momento de pulsão do cinema onde pudemos articular estratégias criativas de produção que incorporassem o interior, integrando dinâmicas e agentes da comunidade”, ressaltam.

    O enredo do longa gira em torno do reencontro de duas mulheres negras, Margarida e Violeta. O público pôde acompanhar a crônica cotidiana, que aborda dramas vividos pelas protagonistas e a capacidade de resiliência da dupla. Os coadjuvantes Ivan e Cidinha também ganham a plateia com diálogos cômicos e atuações afiadas.

    Confira a entrevista exclusiva com os cineastas Ary Rosa e Glenda Nicácio:

    Como avalia a participação do Café com Canela no Festival de Brasília?

    Foi muito importante estar em uma edição tão marcante quanto a dos 50 anos do Festival de Brasília. Não apenas por toda a trajetória traçada nesse lugar, mas por ser também a primeira vez que exibimos o filme no circuito nacional. Assim, tivemos a oportunidade de compreender, a partir do retorno do público e da crítica, as potências e os caminhos que o filme toca.

    A recepção do público foi muito positiva, inclusive no debate em que participaram. Como vocês enxergam essa receptividade?

    Acreditamos que isso parte de discussões acerca da representação de um cinema independente que se estruturou no decorrer dos anos, a partir de políticas públicas e de direcionamentos de fomento e qualificação realizados no interior do Brasil. O fato é que vivemos, até pouco tempo, um momento de pulsão do cinema onde pudemos articular estratégias criativas de produção que incorporassem o interior, integrando dinâmicas e agentes da comunidade. Talvez seja esta a grande potência do filme e da equipe: estruturar narrativas e estéticas da cultura popular.

    De que maneira esse Candango irá contribuir com a jornada do filme?

    A premiação possibilita o maior acesso e a continuação da trajetória. Trajetória esta que não se inicia em “Café com Canela” apenas, mas que já está sendo desenvolvida por outros grandes nomes, como por exemplo a atriz Valdinéia Soriano, que há mais de 25 anos produz e atua no Bando de Teatro Olodum. Trata-se da consagração de sementes que já estavam germinando e que finalmente foram reconhecidas.

    Os diretores não compareceram à cerimônia de encerramento por estarem gravando. Podem falar sobre o próximo projeto?

    O nosso segundo longa-metragem, chamado “Ilha”, se realiza a partir do diálogo entre documentário e ficção. Trata-se de um filme denso, afinal estamos vivenciando tempos difíceis, e nesse sentido, o cinema faz-se espelho. Conta a história de um menino que sequestra um diretor para que este o ajude a filmar a história miserável de sua vida. O projeto foi viabilizado através do Fundo de Cultura do Estado da Bahia e encontra-se em fase de filmagem. A equipe é pequena e composta em sua maioria pelos profissionais que participaram de “Café com Canela” – o que possibilita um maior entrosamento durante o processo de produção.

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