Cenário político pautou mostra Competitiva na sexta-feira com produções do DF e RJ

Mostra Brasília exibiu última sessão e o lançamento de três livros movimentou a programação

 

A sexta-feira (22) teve gosto especial para os cinéfilos do Distrito Federal. O longa-metragem “Era uma vez Brasília” (2017, 100 min, 14 anos), de Adirley Queirós; e o curta “Carneiro de ouro” (2017, 25 min, 10 anos), de Dácia Ibiapina – ambas produções da capital federal – e o curta ”Chico” (2016, 23 min, RJ, 12 anos) receberam aplausos da plateia. O Cine Brasília ficou movimentado para a exibição das sessões e no seu espaço externo com praça de alimentação ambientada e DJs.

 

A programação do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro recebeu três lançamentos de livros para fechar a sexta-feira. A publicação “Cinema e TV em Goiás – Catálogo da produção audiovisual em Goiás 2017” é resultado da parceria entre a Associação das Produtoras Independentes de Cinema e TV de Goiás, a GoFilmes, e a Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esportes. O catálogo reúne a produção recente do estado e mostra que tem se consolidado como polo audiovisual.

 

Enquanto o crítico de cinema professor da UnB Pablo Gonçalo lançou “O cinema como refúgio da escrita: Roteiro e paisagens em Peter Handke e Wim Wenders”. Ao longo da pesquisa, ele analisa a escrita de Peter Handke, seus filmes, peças e sua colaboração como roteirista de três longas de Wim Wenders. Já o diplomata, crítico de cinema e professor João Lanari Bo apresentou o “Cinema Japonês: filmes, histórias, diretores”, sendo o audiovisual considerado alavanca da reinvenção do país asiático. Kurosawa, Mizoguchi, Ozu são reconhecidos como agentes do Japão moderno, inventores que devolvem ao mundo a singularidade do patrimônio visual.

 

A Mostra Brasília apresentou ao público sua última sessão na 50ª edição do Festival de Brasília. O longa “Um Domingo de 53 Horas” (93 min, Livre), de Cristiano Vieira, documenta o dia 17 de abril de 2016, quando a Câmara dos Deputados aceitou o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Traz entrevistas e imagens de ambos os lados da Esplanada dos Ministérios, dividida por uma barricada, e de dentro do Plenário. O curta da noite foi o “Carneiro de Ouro” (2017, 25 min, Livre), de Dácia Ibiapina – também apresentado na Mostra Competitiva.

 

Camila Guerra e Paulo Miklos conduziram a Mostra Competitiva e convidaram ao palco as equipes dos filmes da noite. O curta-metragem do Rio de Janeiro brindou a plateia com a exibição de “Chico”, ambientado no ano de 2029, 13 anos após um golpe de estado no Brasil. Na produção, crianças negras e pobres são marcadas com tornozeleira e rastreadas por pressupor-se que irão, cedo ou tarde, entrar para o crime. Chico é uma dessas crianças, sendo que em seu aniversário é aprovada a lei de ressocialização preventiva, que autoriza a prisão desses menores. O clima de festa então dá espaço a uma separação dolorosa entre Chico e sua mãe, Nazaré.

 

Roteiristas, diretores e produtores, Marcos e Eduardo Carvalho são irmãos gêmeos e se formaram no curso de cinema da PUC-Rio, com bolsa de estudos. Moradores do Morro do Salgueiro (RJ), abordam em seus filmes principalmente a vida negra nas favelas cariocas no contexto de políticas públicas de despejos, violência policial e guerras. Dentre suas obras estão Boa noite, Charles (2015) e Alegoria da Terra (2015). Pelo curta “Chico” receberam o Troféu Margarida de Prata 2017 da CNBB.

 

Já o “Carneiro de ouro”, produção do Distrito Federal, documenta Dedé Rodrigues, realizador que produz com poucos recursos no sertão do Piauí. Seus filmes atraem multidões, em especial, a trilogia “Cangaceiros Fora de Tempo”. Dácia Ibiapina é professora de Audiovisual e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UnB. Diretora e roteirista dos filmes “Palestina do Norte: o Araguaia passa por aqui” (1998), “O chiclete e a rosa” (2001), “Vladimir Carvalho: Conterrâneo velho de guerra” (2004), “CinemaEngenho” (2007), “Entorno da beleza” (2012), “O gigante nunca dorme” (2013) e “Ressurgentes: Um filme de ação direta” (2014).

 

O longa-metragem da noite foi o filme de Adirley Queirós “Era uma vez Brasília”. O roteiro retrata 1959, quando o agente intergaláctico WA4 é lançado no espaço como sentença por fazer um loteamento ilegal. Porém, recebe uma missão: vir para a Terra e matar o presidente Juscelino Kubitschek no dia da inauguração de Brasília. Sua nave perde-se no tempo e aterrissa em 2016, em Ceilândia, cidade-satélite de capital brasileira. Essa é a versão contada por Marquim do Tropa, ator e abduzido. Só Andréia, a rainha do pós-guerra, poderá ajudá-lo a montar o exército para matar os monstros que habitam hoje o Congresso Nacional.

 

Adirley Queirós dirigiu e produziu curtas e longas-metragens e recebeu mais de 60 prêmios no Brasil e no exterior, incluindo os principais prêmios do Festival de Brasília: em 2005, com o curta Rap, o canto da Ceilândia, e em 2014, com o longa Branco sai, preto fica – premiado também em Mar del Plata (Argentina), Ficunam (México) e Viennale (Áustria). Era uma vez Brasília é seu terceiro longa-metragem e foi exibido no Festival de Locarno (Suíça), onde recebeu menção especial do júri.

 

Patrocínio

A 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro conta com os seguintes patrocinadores: NET, Claro, Petrobras, BRB, BNDES e Sabin.

 

Serviço

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – 50ª edição

Quando: 15 a 24 de setembro de 2017

Programação completa: http://www.festivaldebrasilia.com.br/

Fotos: https://www.flickr.com/photos/152011896@N03/albums

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