‘Café com Canela’ retrata delicadeza do cotidiano no Recôncavo da Bahia; leia entrevista

G1 DF

Cores vivas, trocas de afetos, experiências cotidianas com cheiros e sabores: esses são os ingredientes que os diretores de “Café com Canela” apostaram para mostrar ao público as delicadezas do dia-a-dia de quem vive no Recôncavo baiano. O longa-metragem integra a programação do Festival de Cinema de Brasília e é exibido nesta segunda-feira (18) na Mostra Competitiva às 20h e às 21h. (veja programação completa)

O Recôncavo, região retratada no filme, integra a Baía de Todos-os-Santos e foi escolhido pelos diretores Glenda Nicácio, de 25 anos, e Ary Rosa, de 30, para compor a narrativa que conta a história das protagonistas, Margarida e Violeta, duas mulheres negras e de gerações diferentes.

O filme foi gravado no ano passado e, segundo os diretores, retrata a “alquimia do encontro”. No enredo, Margarida vive isolada pela dor da perda do filho. Já Violeta segue a vida entre adversidades do dia-a-dia e traumas do passado.

As duas mulheres, cada uma a seu modo, vivem em duas cidades separadas por uma ponte e por um rio. Quando elas se encontram, inicia-se um processo de transformação.

“A gente vê Margarida muitas vezes tomando um café requentado. Em um dado momento difícil da vida, é a canela levada por Violeta que representa a diferença, uma metáfora sobre a alquimia de um encontro.”

A região, com forte influência africana desde a sua formação, é também uma espécie de personagem na trama. O filme é guiado em um território considerado “ancestral” em que, inclusive, os próprios diretores escolheram para morar e instalar uma produtora audiovisual.

De acordo com Glenda, a paisagem e as vivências dos moradores do Recôncavo são retratados no longa-metragem de forma universal, “considerando os momentos de dor, sensibilidade e dureza”.

“Nossa procura foi por retratar esses momentos com delicadeza e tentar ver graça em coisas que acontecem todos os dias. Essas cenas quando vão para tela do cinema ganham uma outra potência.”

Assista ao trailer de ‘Café com Canela’, dirigido pro Glena Nicácio e Ary Rosa

Cores do filme

Uma outra preocupação na composição do filme é o protagonismo das mulheres negras. As vivências retratadas sob esta perspectiva foram pensadas para sanar, segundo os diretores, “a ausência da estética negra no cinema”. As atrizes Valdinéia Soriano (que interpreta Margarida) e Aline Brune (que dá vida a Violeta) também compõem a diversidade étnica do filme.

O cantor e compositor Mateus Aleluia, morador da mesma região, é quem dita o tom e o ritmo das cenas regadas a café com canela. A trilha sonora foi composta exclusivamente para o filme, com base no roteiro e nas tradições locais.

Um outro detalhe da produção da película diz respeito às preparações de cenário e figurino. Como forma de promover o autodesenvolvimento da região – composta por 33 municípios –, os diretores de Café com Canela pensaram na integração da comunidade durante a montagem.

A cenografia da casa da personagem Margarida foi construída por alunos de uma oficina preparada com o objetivo de profissionalizar moradores, alunos de escolas públicas e estudantes do curso de Cinema e Artes Visuais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com sede em uma das cidades. Já o figurino foi costurado por profissionais de uma cooperativa da região.

Cena do filme 'Café com Canela' que estreia nesta segunda (18) no Festival de Cinema de Brasília (Foto: Rosza Filmes/Divulgação)Cena do filme 'Café com Canela' que estreia nesta segunda (18) no Festival de Cinema de Brasília (Foto: Rosza Filmes/Divulgação)

Cena do filme ‘Café com Canela’ que estreia nesta segunda (18) no Festival de Cinema de Brasília (Foto: Rosza Filmes/Divulgação)

Fora do eixo

Jovens e estreantes em festivais de cinema, os diretores Ary Rosa e Glenda Nicácio apostaram na produção “além das grandes capitais” para o conteúdo audiovisual. O Festival de Cinema de Brasília é o primeiro em que eles se inscrevem e participam.

No momento, os criadores já estão na produção do segunda longa-metragem da carreira e dizem ter “começado bem” com a estreia na capital federal.

“Foi o primeiro festival em que nos inscrevemos. Estamos ao lado de bons filmes e de diretores importantes. O Festival de Cinema de Brasília é uma referência, com uma seleção superconcorrida.”

Para Rosa, produzir cinema em uma região do interior foi uma escolha a partir do entendimento de que “não é preciso estar nos grandes centros para produzir e divulgar bons conteúdos”.

“Há dificuldade e um grande prazer de levar este lugar pouco explorado a outras regiões do país. Os centros são lugares importantes mas também precisamos entender o interior como lugar de produção.”

Entrada do Cine Brasília durante a última edição do Festival de Cinema de Brasília (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília)Entrada do Cine Brasília durante a última edição do Festival de Cinema de Brasília (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília)

Entrada do Cine Brasília durante a última edição do Festival de Cinema de Brasília (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília)

50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

De 15 a 24 de setembro

Locais: Cine Brasília (106/107 Sul), Museu da República (Setor Cultural Sul, lote 2), Meliá Brasil 21 (SHS Quadra 6), Teatro da Praça de Taguatinga (St. Central AE 5, próximo à Praça do Relógio), Espaço Semente (Setor Central do Gama, Entrequadras 52/54), Teatro de Sobradinho (Área Especial, Q 12, próximo à rodoviária) e administração regional do Riacho Fundo (Área Central 3, Lote 6).

Preços: R$ 6 (meia-entrada para a Mostra Competitiva, no Cine Brasília); entrada franca para as outras exibições. Algumas atividades requerem inscrição prévia pela web.

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