PAPEL DA MULHER NO CINEMA GANHOU ESPAÇO NO 50º FESTIVAL DE BRASÍLIA

Coletivo Elviras busca novas perspectivas femininas na indústria audiovisual

 

O Museu Nacional recebeu nesta segunda-feira (19), como parte da programação paralela do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o painel “As mulheres e a reflexão sobre o audiovisual”. O evento contou com a participação das críticas de cinema e representantes do Coletivo Elviras: Samantha Brasil, Carol Almeida, Kenia Freitas e Cecília Barroso, mediadora da discursão.

 

Durante o debate foram apresentadas as dificuldades enfrentadas no audiovisual, seja na curadoria ou na produção de críticas cinematográficas. Uma das questões levantadas por Samantha Brasil, representante das Elviras no Rio de janeiro, é a ausência do gênero feminino nas associações críticas de cinema e nos veículos de comunicação que realizam análises cinematográficas.

 

Levantamento feito pela palestrante aponta que as mulheres ainda são pouco valorizadas nesse nicho: “Os homens não nos reconhecem como críticas e isso é um grave problema, pois nos faz questionar a nossa própria capacidade”. Outro paralelo, conforme apontou Samantha, é que quando as mulheres são convidadas a produzir análises de obras cinematográficas, raramente escrevem sobre filmes que estão em alta no mercado.

 

Outro ponto abordado durante o painel foi a remuneração: das 104 participantes do Coletivo das Elviras, 80% não recebem pela produção dos seus textos. E das 18% que recebem salário, 5% estão localizadas no estado do Rio de Janeiro, porcentual que reflete o machismo presente na sociedade brasileira.

 

Para Kenia Freitas, escritora de crítica para o blog Giplot e representante do Coletivo Elviras, é necessário que a participação feminina  de brancas, negras, indígenas, transexuais — no audiovisual ultrapasse a barreira das análises de filmes: “As mulheres devem participar nas curadorias, nos júris e seleções de filmes, porque tudo isso constitui o que monta o olhar crítico sobre o cinema”. 

 

Força dos coletivos femininos

Entre as medidas apontadas para fortalecer o papel da mulher no audiovisual, está a união de coletivos. De acordo com as componentes do debate, é fundamental

mostrar o olhar feminino nessas críticas. Outro ponto é a necessidade de analisar e valorizar longas e curtas-metragens produzidos por diretoras.

 

Para Samantha Brasil, o diálogo precisa ser feito em mão dupla: “É preciso acabar com o olhar masculino que existe por parte de algumas diretoras, que ainda querem ser legitimadas por grandes veículos de comunicação, na qual as críticas são escritas por homens”, avalia a curadora.

 

Marise Urbano tem 32 anos e veio de Salvador (BA) para Brasília participar do 50º Festival de Cinema. Na opinião dela, esses debates são importantes para mostrar que as mulheres precisam estar em todos os processos audiovisual, desde o roteiro até a direção. “Elogio a inciativa de fortalecimento da mulher, pois não há como fazermos isso de forma individual. Precisamos nos unir para atingir esse espaço de luta”, acredita a participante dos coletivos Periférico de Cinema (Copecine) e Cinema Baiano.

 

Sobre o Coletivo das Elviras Gama

O Coletivo Elviras  surgiu durante o Festival de Cinema de Brasília de 2016. O nome do grupo é em homenagem a Elvira do Gama, 1ª mulher a escrever sobre imagem e movimento. Atualmente, 104 mulheres de todo o Brasil integram do grupo. “É um coletivo que tem dois objetivos audaciosos: visibilizar a mulher na crítica e formar novas críticas”, disse Cecília Barroso, mediadora do debate e integrante do coletivo.

 

Patrocínio

A 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, conta com os seguintes patrocinadores: NET, Claro, Petrobras, BRB, BNDES e Sabin.

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