50 anos em 5 dias – Abraccine

Cinquenta anos em cinco dias

Foi uma tarefa bem difícil dada à Abraccine, esta de selecionar produções para uma mostra com os filmes mais destacados em 50 edições do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Começando pelos critérios de constituição de uma curadoria, seguida dos critérios para a seleção dos próprios filmes. Somos uma entidade com cerca de 100 associados e só mesmo uma comissão menor conseguiria concentrar esforços para pensar numa seleção. Com sete críticos de regiões, formações, gerações e gêneros diferentes, formamos um grupo capaz de rever e pensar em filmes que revelassem também uma diversidade nos títulos eleitos. E de saída entendemos que não iríamos atrás dos “melhores”, simplesmente nos restringindo aos já premiados com o Candango de melhor filme. Nossas escolhas deveriam recair sobre filmes que, vistos na perspectiva de hoje, ganharam seu lugar na história do cinema brasileiro.

Naturalmente, procuramos olhar para diferentes períodos e assim lançar luz também a momentos políticos diversos (incluído os anos cinzentos da ditadura militar), que ecoaram em movimentos de estética e de linguagem marcantes. Por isso, também para nós era importante incluirmos os curtas-metragens, formato tão valorizado pelo festival e sobre o qual podemos observar desde preocupações sociais até propostas de gênero.

 

Variações estas presentes nos longas-metragens, incluindo os documentários, que embora tenham participado na maior parte de sua história em uma categoria separada, pelos títulos escolhidos fica clara a importância do festival para dar visibilidade a estas obras. Santo Forte, Iracema, uma Transa Amazônica e Rota ABC são títulos icônicos da nossa filmografia documental, ensaística e híbrida (caso de Iracema). E mesmo que entre estes diretores esteja um nome conhecido como Eduardo Coutinho, alguns certamente serão vistos pela primeira vez pelas plateias mais jovens.

 

Das ficções, há diretores emblemáticos como Carlão Reichenbach, Leon Hirszman e Rogério Sganzerla. Ao lado deles, Júlio Bressane, um diretor premiado várias vezes em Brasília e que ainda hoje nos surpreende com suas propostas arrojadas. Suzana Amaral, também premiada mais de uma vez no festival, entra na mostra com uma das mais belas adaptações de Clarice Lispector. O mesmo pode-se dizer da adaptação de Roberto Santos para o romance de Guimarães Rosa e de Joaquim Pedro de Andrade para o poema de Carlos Drummond de Andrade.

 

Infelizmente, vários destes cineastas já nos deixaram. Alguns há mais tempo, outros mais recentemente. Dizer que seus filmes estão vivos seria um lugar-comum, mas a ideia de que eles pulsam e que podem se perpetuar na memória das novas gerações em Brasília, deixa estes diretores próximos de nós. Tão próximos que temos dúvida se de fato morreram.

 

Amanda Aouad

Filipe Furtado

Ivonete Pinto

José Geraldo Couto

Maria do Rosário Caetano
Paulo Henrique Silva

Sérgio Moriconi

Longas

Curtas

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