1º fim de semana do FBCB conta com ampla participação do público

Após um sábado (16) com densa programação de exibições cinematográficas e atividades formativas em todo o Distrito Federal, o domingo (17) fechou o 1º fim de semana do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com a presença em peso do público. O dia foi marcado por debates acalorados, master class, lançamento do livro de fotografias de Miguel Freire e pela sessão da Mostra Competitiva.

 

O dia começou com o debate dos filmes “Nada”, “O Peixe” e do longa “Música para quando as luzes se apagam”. Marcelo Miranda moderou a conversa, iniciada com questionamentos por parte da plateia sobre o “novíssimo cinema mineiro”. Sobre a tendência, Gabriel Martins, diretor de “Nada”, destacou a proposta de pensar conflitos centrais, como aquele proposto pela trama – que traz a protagonista Bia, que completa a maioridade e lida com a pressão com a proximidade do Enem.

 

Já o processo de produção do filme “Música para quando as luzes se apagam”, que durou 13 meses de filmagens e totalizou mais de 300 horas de trabalho, foi descrito por Ismael Caneppele, que estreou na direção no Festival de Brasília. A obra narra a chegada de uma cineasta, interpretada pela atriz Julia Lemmertz, a uma pequena vila no sul do Brasil na tentativa de documentar a vida de um garoto trans adolescente. O documentário revela relação intermediada constantemente por lentes de cinema.

 

A ideia de registrar o ritual de um grupo de pescadores que abraçam os pescados após a pesca e o amplo trabalho de pesquisa até gravar “Peixe”, foi debatida pelo diretor Jonathas de Andrade. O filme, que apresenta os personagens em formato de ciclos, tem como premissa a relação orgânica entre pescadores e peixes, além do dia a dia daqueles trabalhadores e comunidades.

 

Na 2ª rodada do debate, moderado por Maria do Rosário, participaram os representantes dos filmes “Vazante” e “Peripatético”. A conversa, que atraiu ampla participação do público nas críticas direcionadas à desigualdade de pele e na dificuldade do protagonismo negro. O fomento à indústria do cinema foi apontado como necessidade, em especial nos projetos que abordam a questão racial.

 

Jéssica Queiroz apresentou seu filme “Peripatético” (2017, 15 min, SP, Livre), que narra um período da vida de jovens moradores da periferia de São Paulo. Em meio às demandas do início da fase adulta, um acontecimento histórico em maio de 2006 na cidade de São Paulo muda o rumo de suas vidas. A diretora, cenógrafa e roteirista do longa “Vazante” (2017, 116 min, SP, 14 anos), produção que retrata Minas Gerais no século XIX, Daniela Thomas, foi a figura mais questionada. A questão racial foi o foco das discussões, uma vez que o filme traz à tona as relações entre brancos e negros.

 

Em seguida foi realizada a 1ª Master Classe do 50º Festival, com Anna Muylaert, diretora, roteirista e autora de sucessos como “Que horas ela volta?” e “Durval discos”. Em 2009, Anna foi consagrada com sete candangos da mostra competitiva com o filme “É proibido fumar”. Durante a conversa, foram abordados seu processo cinematográfico e os métodos desenvolvidos, além da atuação das mulheres no mercado audiovisual. “Demorou 50 anos, mas chegou o dia de ter uma mulher dando uma master class aqui. É um bom novo começo para os próximos anos”.

 

Às 19h, o livro “Fotografia Getuliana: A imagética germânica na construção no olhar fotográfico nos tempos do Estado Novo”, de Miguel Freire, foi lançado. O trabalho aborda o papel das imagens na construção de suas narrativas e, por extensão, o papel da arte na sociedade. “Acompanho o Festival desde as primeiras edições e ele está dentro de mim. Trazer o lançamento do meu livro para cá reforça a relação afetiva que tenho com o evento”, disse Freire.

 

Mostra competitiva

A apresentação da noite no Cine Brasília foi conduzida por Camila Márdila e Bruno Torres. Iniciou a exibição dos filmes da mostra competitiva no domingo o curta “Inocentes” (2017, 18min30, RJ, 16 anos), de Douglas Soares, considerado um percurso voyeurístico na obra homoerótica do fotógrafo brasileiro Alair Gomes. Douglas Soares é diretor dos curtas “Minha tia, meu primo”, “A dama do Peixoto” e “Contos da Maré”, eleito melhor curta documentário no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Em 2016, estreou “Xale”, seu primeiro longa-metragem e foi reconhecido como melhor direção no III CineJardim (PE).

 

Em seguida, foi a vez do longa “Pendular” (2017, 108 min, RJ, 16 anos), de Julia Murat. A produção retrata um jovem casal que se muda para galpão industrial abandonado. Pendular acontece no ambiente onde arte, performance e intimidade se misturam e onde os personagens perdem a capacidade de distinguir seus projetos artísticos, o passado de cada um e sua relação amorosa. Julia Murat é diretora, roteirista e montadora carioca. Dirigiu os curtas “A velha, o canto, as fotos”, “Ausência” e “Dia dos pais, parceria com Leonardo Bittencourt”. Seu longa “Histórias que só existem quando lembradas” foi selecionado para festivais de Veneza, Toronto, San Sebastian e Roterdam e levou 39 prêmios internacionais.

Fale conosco

Ente em contato com o festival.

Enviando

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?